O Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), em Manaus, foi palco do Fórum Jovens Cientistas sobre Ecointelegência para o Futuro, evento internacional que reuniu pesquisadores do Brasil e da China em torno de soluções sustentáveis para os desafios ambientais globais. A iniciativa atraiu mais de 150 participantes e promoveu uma intensa troca de experiências entre cientistas iniciantes e veteranos.
O encontro contou com a presença do ministro de Ecologia e Meio Ambiente da República Popular da China, Huang Runqiu, além de representantes de órgãos ambientais da Prefeitura de Manaus, Governo do Amazonas, e instituições de pesquisa e inovação.
Na abertura, o ministro chinês destacou a importância do uso responsável dos recursos naturais. “A biodiversidade é uma riqueza inestimável e deve ser utilizada de forma sustentável para promover o bem-estar das pessoas”, declarou Runqiu.
A realização do evento em Manaus foi articulada pela Fundação Universitas de Estudos Amazônicos (FUEA). Segundo o diretor executivo da instituição, Elias Moraes de Araújo, a mudança de sede – inicialmente prevista para Brasília – foi estratégica. “Não poderíamos discutir a Amazônia sem estarmos nela. Somos o coração da biodiversidade mundial, e essa troca com a China abre novas possibilidades para a ciência e a bioeconomia na região”, afirmou.
Ao longo da programação, pesquisadores apresentaram projetos voltados ao uso sustentável dos recursos da floresta, com destaque para estudos do Núcleo de Produtos Naturais do CBA. O farmacêutico Vanderson Torres mostrou inovações como bebidas à base de caroço de açaí para tratamento de arteriosclerose, além de pomadas e óleos essenciais desenvolvidos a partir de resíduos florestais. “Transformamos o que seria descartado em soluções com valor agregado, com potencial nas áreas de saúde e cosméticos”, explicou.
O biólogo Vanderlei Saboia, representante da Central Analítica do CBA, reforçou o papel da pesquisa na valorização da produção local. “Oferecemos infraestrutura para que comunidades e startups amazônicas façam análises laboratoriais em Manaus, evitando o envio de amostras para outras regiões. Isso fortalece o mercado e impulsiona a bioeconomia regional”, destacou.
O diretor-geral do CBA, Márcio Miranda, também destacou a relevância da cooperação entre Brasil e China. “A juventude científica tem papel central na construção de soluções para o futuro. A integração entre os dois países pode gerar tecnologias e modelos de desenvolvimento que valorizem a floresta em pé”, disse.
Com programação híbrida, o fórum seguiu durante todo o dia com painéis sobre políticas públicas para jovens cientistas, mudanças climáticas, ecologia urbana, biodiversidade, biotecnologia, bioeconomia e outras áreas estratégicas.
O evento foi realizado por meio de uma parceria entre o Instituto de Ciências Ambientais do Sul da China (SCIES), o Ministério de Ecologia e Meio Ambiente da China, o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), a Fundação Universitas de Estudos Amazônicos (FUEA), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
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